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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

CINCO VERDADES SOBRE A ESCRITA

1)      Escrever não é um dom divino, muito menos competência exclusiva para poucos iluminados. O texto é que vai se iluminando, tudo vai depender do tempo que passarmos com ele – indiferente de quem escreve. Saibam que todos podem fazer um. No entanto, não sendo a escrita uma capacidade inata, precisamos aprendê-la, treiná-la, já que assim como nós, nenhuma ideia nasce pronta. Elas precisam ser organizadas, revisitadas e, se necessário, refeitas;

2)      Falar é uma coisa, escrever é outra. Deve-se evitar o uso de recursos orais em uma construção textual. Reparem que quando conversamos com alguém repetimos muitas vezes as mesmas coisas, isso sem nos darmos conta. Só que no plano oral temos muito mais ‘ferramentas’ para explorar. Os gestos, as expressões faciais, a entonação da voz, enfim. E é exatamente por isso que devemos deixar enxutos os argumentos quando os reconstituímos no papel. Eles contam com muito menos elementos, se comparados à oralidade. Esperam completarem-se em outras vozes. Por isso é necessário traçar um perfil desses possíveis leitores;

3)      Aprendemos a ler, lendo; e escrever, escrevendo. A leitura é algo essencial, disso ninguém duvida. Contudo, não adianta lermos milhões de livros esperando que apenas com isso seja possível conceber um texto. A escrita é treino; e a leitura, se aliada a essa prática, enriquecimento. Mesmo assim é indispensável escrever. Ler também, ora! Mas não espere excelência se nunca pegou uma caneta na mão. Faz-se necessário utilizá-la mais. Claro, se quiser conhecer-se! Pois é. Pelo simples exercício, escrever nos reconstrói. Pensar a si mesmo é bem trabalhoso, escrever exige muito de nós. Apesar disso, sozinhas elas (a leitura para lá e a escrita para cá) enricam-se menos, porém é possível sim;

4)      Não há texto sem crítica. Eis uma capacidade que precisamos maturar. Quem gosta de ser criticado, afinal? Porém, se desejamos uma organização sólida das ideias (do tipo que saiba encontrar o mundo), é preciso começar a pensar em aceitar esse tipo de contribuição. Geralmente, depois de trabalharmos muito em determinado argumento, temos a impressão de que tudo nele está certinho. Mas não. Basta um olhar de fora para denunciar um ou outro fio solto. O que é natural. Há coisas que passam batidas por nós. Pontuação, erros de palavras, coerência. Essas coisas;

5)      O texto nunca está pronto. Há sempre o que melhorar nele. Duvidando disso, faça um exercício. Escreva um parágrafo, que seja. Deixe-o parado até o dia seguinte. Pegue-o novamente e leia. Sim, a vontade que temos é de mudar um montão de coisas, não é verdade? Pois então. Enquanto aquelas ideias vão descansando no papel, nós vamos mudando, arejando os pensamentos. O escrito não muda. Nós é que mudamos, viramos outros. E é assim que provocamos as mudanças – e sempre estamos em mutação, logo os textos também.

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