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sexta-feira, 14 de outubro de 2016

CITAÇÕES, POEMAS E 'FACEIRAÇÕES' COLETADAS DE MINHAS LEITURAS (Momento 5)

"É sempre agradável ver-se um destruidor de fábulas ser vítima de uma fábula."

(BACHELARD, Gaston. In: SCLIAR, Moacyr. O centauro no jardim. São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 5).

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"Muito bem, disse o senhor, já que assim o quiseram, assim o vão ter, a partir de agora acabou-se-lhes a boa vida, tu, eva, não só sofrerá todos os incómodos da gravidez, incluindo os enjoos, como parirás com dores, e não obstante sentirás atracção pelo teu homem, e ele mandará em ti."

(SARAMAGO, José. Caim. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 17-18).
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"Guardava o rouxinol numa caixinha. Tudo o que queria era andar com o rouxinol empoleirado no dedo. Mas, se abrisse a caixinha, ah! certamente fugiria.
Então amorosamente cortou o dedo. E, através de uma mínima fresta, o enfiou na caixinha."

(COLASANTI, Marina. Para sentir seu leve peso. In:___. Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L&PM, 1999, p. 13).
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"É verdade: amamos a vida não porque estejamos habituados à vida, mas estamos habituados a amar."

(NIETZSCHE, Friedrich. Assim falava Zaratustra. Trad. Antônio Carlos Braga. 3. ed. São Paulo: Escala, 2007, p. 53).
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"Há sempre algo de loucura no amor, mas também há sempre algo de razão na loucura."

(NIETZSCHE, Friedrich. Assim falava Zaratustra. Trad. Antônio Carlos Braga. 3. ed. São Paulo: Escala, 2007, p. 53).
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A MOÇA TECELÃ

Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.
Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.
Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.
Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.
Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.
Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.
Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranquila.
Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.
Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.
Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.
Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.
E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.
— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.
Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.
— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.
Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.
Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!
Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.
E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.
Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.
Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.
A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.
Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.

(COLASANTI, Marina. Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L&PM, 1999, p. 09-12).
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A PAIXÃO DE SUA VIDA

Amava a morte. Mas não era correspondido.
Tomou veneno. Atirou-se de pontes. Aspirou gás. Sempre ela o rejeitava, recusando-lhe o abraço.
Quando finalmente desistiu da paixão entregando-se à vida, a morte, enciumada, estourou-lhe o coração.

(COLASANTI, Marina. Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L&PM, 1999, p. 87).
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UMA ENGRENAGEM
Desmontou a cabeça, peça por peça. Azeitou, poliu, limpou com flanela. Depois começou a montar. Pronta, viu que uma engrenagem tinha ficado na mesa. Pensou em recomeçar. Tentou. Não conseguiu. Faltava, para saber desmontar, aquela engrenagem principal.

(COLASANTI, Marina. Um espinho de marfim e outras histórias. Porto Alegre: L&PM, 1999, p. 164).
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"Por baixo das palavras que dizes percebo que há outras que calas."

(SARAMAGO, José. Caim. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 45).
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“Nonada, arma de vivente é fia de muitas morte que fica fazendo casa na gente. Não precisa sabê de letra pra entendê dessas morada. Arma é alma, guri!”

(SANTOS, Dilso J. dos. As mães e os guaxos. In:___. "Desassossegados". Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2016, p. 82).
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"Assim, não se pode aprender a amar, tal como não se pode aprender a morrer. [...] Chegando o momento, o amor e a morte atacarão – mas não se tem a mínima ideia de quando isso acontecerá. Quando acontecer, vai pegar você desprevenido."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 17).
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"No mundo real, tal como nos desenhos do Tom & Jerry, talvez alguns gatos tenham sete vidas ou até mais, e talvez alguns convertidos possam acreditar na ressurreição – mas permanece o fato de que a morte, assim como o nascimento, só ocorre uma vez. Não há como aprender a "fazer certo na próxima oportunidade" com um evento que jamais voltaremos a vivenciar."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 18).
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"Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados. Como resultado, o conjunto de experiências às quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito. Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome "fazer amor"."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 19).
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"Em todo amor há pelo menos dois seres, cada qual a grande incógnita na equação do outro."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 21).
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"Sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não mapeada. E é esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 22).
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"Eros move a mão que se estende na direção do outro – mas mãos que acariciam também podem prender e esmagar."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 23).
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"Amar é contribuir para o mundo, cada contribuição sendo um traço vivo do eu que ama. No amor, o eu é, pedaço por pedaço, transplantado para o mundo."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 24).
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"A solidão produz insegurança – mas o relacionamento não parece fazer outra coisa. Numa relação, você pode sentir-se tão inseguro quanto sem ela, ou até pior. Só mudam os nomes que você dá à ansiedade."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 30).
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"Eu amo você, e assim permito que você seja como é e insiste em ser, apesar das dúvidas que eu possa ter quanto à sensatez de sua escolha. Não importa o mal que sua obstinação possa me causar: não ousarei contradizer você, muito menos pressionar para que você escolha entre a sua liberdade e o meu amor."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 32).
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"A noção de pecado que domina muitas crianças e jovens e que geralmente se estende até a fase posterior da vida é uma tristeza e fonte de distorção que não serve a nenhum propósito útil. É produzido, quase que inteiramente, por ensinamentos morais convencionais na esfera do sexo. O sentimento de que o sexo é maligno faz com que o amor feliz seja impossível, levando os homens a desprezar as mulheres com quem têm relações e geralmente a ter impulsos de crueldade em relação a elas."

(RUSSELL, Bertrand. A nova geração. In:___. Por que não sou cristão. Trad. Ana Ban. Porto Alegre: L&PM, 2016, p. 131).
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"Onde há dois não há certeza."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 35).
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"Se tratarmos as pessoas como merecem, nenhuma escapa ao chicote."

(SHAKESPEARE, William. Hamlet. In:___. Obras escolhidas. Trad. Beatriz Viégas-Faria e Millôr Fernandes. 3. ed. Porto Alegre: L&PM, 2012, p. 556).
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"Morrer – dormir – dormir! Talvez sonhar."

(SHAKESPEARE, William. Hamlet. In:___. Obras escolhidas. Trad. Beatriz Viégas-Faria e Millôr Fernandes. 3. ed. Porto Alegre: L&PM, 2012, p. 560).
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"Qualquer que seja a capacidade geradora de fusão que o sexo possa ter, ela vem de sua "camaradagem" com o amor."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 63).
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"Para cada ganho há uma perda. Para cada realização, um preço."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 66).
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"Ele ficou ali sentado fazendo hora, embrulhando o tempo. Ele, que sempre gostava de gente, agora queria ficar sozinho. Não pensava em nada de especial, deixava o pensamento vadiar."

(DOURADO, Autran. Ópera dos mortos. 8. ed. São Paulo: Difel, 1980, p. 153).
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"Não se deixe apanhar. Evite abraços muito apertados. Lembre-se de que, quanto mais profundas e densas suas ligações, compromissos e engajamentos, maiores os riscos. Não confunda a rede – um turbilhão de caminhos sobre os quais se pode deslizar – com uma malha, essa coisa traiçoeira que, vista de dentro, parece uma gaiola."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 78).
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"O advento da proximidade virtual torna as conexões humanas simultaneamente mais frequentes e mais banais, mais intensas e mais breves. As conexões tendem a ser demasiadamente breves e banais para poderem condensar-se em laços. [...] A distância não é obstáculo para se entrar em contado – mas entrar em contato não é obstáculo para se permanecer à parte."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 82).
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"Nós entramos em nossas casas separadamente e fechamos a porta, e então entramos em nossos quartos separados e fechamos a porta. A casa torna-se um centro de lazer multiuso em que os membros da família podem viver, por assim dizer, separadamente lado a lado."

(LEE, David; SCHLUTER, Michael. In: BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 84).
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"A solidariedade humana é a primeira baixa causada pelo triunfo do mercado consumidor."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 96).
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"Outros devem nos amar primeiro para que comecemos a amar a nós mesmos."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 100).
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"Continuo a pensar que quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por essa razão escrevo."

(ABREU, Caio Fernando. Pequenas epifanias. 2. ed. Rio de Janeiro: Edigraf Ltda., 2012, p. 19).
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"O eu permanece, assim, totalmente do lado receptor. Sofre as ações dos outros em vez de ser um ator por direito próprio."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 117).
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"Somos todos imortais. Teoricamente imortais, claro. Hipocritamente imortais. Por que nunca consideramos a morte como uma possibilidade cotidiana, feito perder a hora no trabalho ou cortar-se fazendo a barba, por exemplo. [...] Deve ser por isso que fico (ficamos todos, acho) tão abalado quando, sem nenhuma preparação, ela acontece de repente."

(ABREU, Caio Fernando. Em memória de Lilian. In:___. Pequenas epifanias. 2. ed. Rio de Janeiro: Edigraf Ltda., 2012, p. 25).
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"[...] pois o amor também é uma espécie de morte."

(ABREU, Caio Fernando. Em memória de Lilian. In:___. Pequenas epifanias. 2. ed. Rio de Janeiro: Edigraf Ltda., 2012, p. 25).
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"[...] as cidade se tornam depósitos de lixo para problemas gerados globalmente. Os moradores das cidades e seus representantes eleitos tendem a ser confrontados com uma tarefa que nem por exagero de imaginação seriam capazes de cumprir: a de encontrar soluções locais para contradições globais."

(BAUMAN, Zygmunt. Amor líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2004, p. 124).
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"Os animais brincam tal como os homens. Bastará que observemos os cachorrinhos para constatar que, em suas alegres evoluções, encontram-se presentes todos os elementos essenciais do jogo humano. Convidam uns aos outros para brincar mediante um certo ritual de atitudes e gestos. Respeitam a regra que os proíbem morderem, ou pelo menos com violência, a orelha do próximo. Fingem ficar zangados e, o que é mais importante, eles, em tudo isto, experimentam evidentemente imenso prazer e divertimento."

(HUIZINGA, J. Homo Ludens: o jogo como elemento da cultura. Trad. João Paulo Monteiro. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1996, p. 3).
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"Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você."

(ABREU, Caio Fernando. Por trás da vidraça. In:___. Pequenas epifanias. 2. ed. Rio de Janeiro: Edigraf Ltda., 2012, p. 101).
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"Diz a mãe: a vida faz-se como uma corda. É preciso trançá-la até não distinguirmos os fios dos dedos."

(COUTO, Mia. Mulheres de cinzas: as areias do imperador. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 13).
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Chamo-me Imani. Este nome que me deram não é um nome. Na minha língua materna "Imani" quer dizer "quem é?". Bate-se a uma porta e, do outro lado, alguém indaga:
Imani?

(COUTO, Mia. Mulheres de cinzas: as areias do imperador. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 15).
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"Porque não nasci para ser pessoa. Sou uma raça, sou uma tribo, sou um sexo, sou tudo o que me impede de ser eu mesma."

(COUTO, Mia. Mulheres de cinzas: as areias do imperador. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 17).
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"São assim os homens, explicou: têm medo das mulheres quando elas falam e mais ainda quando ficam caladas."

(COUTO, Mia. Mulheres de cinzas: as areias do imperador. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, p. 28).
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"Estou aqui no meu canto mas estou vendo tudo. Nesta terra só quem não tem razão é pobre."

(REGO, José Lins do. Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 38).
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"Conheci seu pai, seu Manuel Ferreira, era homem de palavra: dizia a todo mundo que não pagava a ninguém e nunca pagou conta mesmo."

(REGO, José Lins do. Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 82).
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"– Comadre, isto é conversa para homem. Negro e mulher não têm que se meter."

(REGO, José Lins do. Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 84).
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– O que é um voto, meu compadre?
– Um voto é uma opinião. É uma ordem que o senhor dá aos que estão de cima. O senhor está na sua tenda e está mandando num deputado, num governador.

(REGO, José Lins do. Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 85).
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"A gente aprende muita coisa, mestre, mas só enxada é que dá feijão e farinha."

(REGO, José Lins do. Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 101).
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"– Solta o negro, deixa ele que eu lhe tiro a catinga de uma vez. Comadre, negro só mesmo no chicote. Um homem branco como eu não se rebaixa a trocar desaforo com uma desgraça desta."

(REGO, José Lins do. Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 113).
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"E ali, em frente do marido, que ela temia como a um duro senhor, sentiu-se mais forte, mais dona de sua vida. Zeca abriu os olhos, olhou para ela como se quisesse esmagá-la, com uma raiva de demônio. Deu um grito, e correu para a cozinha. Vira na cara do marido a cara do diabo."

(REGO, José Lins do. Fogo Morto. Rio de Janeiro: José Olympio, 2009, p. 124).
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"A ação é a atividade que corresponde à condição humana da pluralidade, ao fato de que a Terra e o mundo são habitados não pelo Homem, mas por homens e mulheres portadores de uma singularidade única – iguais enquanto humanos, mas radicalmente distintos e irrepetíveis, de modo que a pluralidade humana, mais do que a infinita diversidade de todos os entes, é a "paradoxal pluralidade de seres únicos"."

(CORREIA, Adriano. Apresentação à nova edição brasileira. In: ARENDT, Hannah. A condição humana. Trad. Roberto Raposo. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2014, p. 29-30).

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